terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Psicologia

Ela entrou na padaria comprou o cigarro como habitualmente o fez, desta vez sem as latas de cerveja. No terminal tomou café com leite, a muito não o fazia. Chovia uma garoa forte incisiva, mas o guarda chuvas é grande e cobre todos o seu corpo esguio.
Na saída mira um garoto negro, por volta de seus treze anos debaixo do toldo da padaria, sem calçados, com uma sacola plástica de mercado nas mãos, as segurava de modo que não deixasse mostrar o que tinha dentro. O rapaz a olhou nos seus olhos também, e saiu em caminhada sem se importar em se molhar, na mesma direção, fazendo o mesmo caminho, logo atrás passo a passo com a respiração cada vez mais tensa.
Percebendo a atitude do adolescente ela atrasou o andar olhou em seus olhos na curva escura cumprimentou o percebendo de cima abaixo: - Boa noite.
Ele, gaguejando: -Ah eu só queria saber que horas é.
- 21:20.
Ela recuou o passo, e inverteu o jogo, andou como ele o fez com ela, mas era diferente, porque não havia respiração tensa só o eco do barulho do seu salto na descida escura da rua do parque sem luz. O menino foi recuando para ficar atrás novamente, ela de maneira alguma deixou foi andando lado a lado até chegar a uma rua iluminada. Quando chegaram questionou:
- Qual é o seu nome?
Sem vacilar ele respondeu, então sabia que não mentia:
- Jeferson.
- Você quer carona no meu guarda chuvas?
- Não moça, já estou molhado mesmo.
- Não está com frio todo molhado e descalço?
- Não moça.
Houve um silêncio, ele a olhou de lado. Para mostrar segurança ela abre a bolsa ascende um cigarro, e o encara como se fosse um adulto.
- Muito bem Jeferson, você mora aqui perto?
Houve um silêncio extenso, ele iria mentir.
- Não moro longe.
- Aonde?
Houve um silêncio ainda maior acompanhado de um olhar do menino sobre o redor. Logo a frente tinha uma escadaria. Jeferson respondeu:
- Logo após aquele “escadão”
Quando chegaram perto da escadaria, ele foi descendo os degraus.
- Boa noite Jeferson... Ela desejou. Já adivinhando que ou ele desisitiu do ataque ou o tentaria logo a frente visto que mora longe e perto...
Na esquina da rua de casa, o garoto aparece do lado respirando ofegante, é que esta escadaria corta para uma rua que dá acesso. 
Ela não saiu correndo, Parou fritou seus olhos, ele vacilou e bambeou, ergueu um pouco o tom de voz após perceber que não estava armado.
- O que foi Jeferson? Aconteceu alguma coisa?
Ele fez que sim com a cabeça, começou a andar de leve, ele deu dois passos ao lado, parou e questionou :  - O que aconteceu?  ele ficou quieto.  Você precisa de ajuda? Ele fez sinal de positivo. Perguntou, O que você quer?
Viu que estava a 4 casas do lar, por sorte a casa dos vizinhos estava em festa , qualquer coisa era só gritar. 
O menino encarou, deu dois passos como afronte para o ataque, ela o empurrou grosseiramente pelo ombro e questionou: O que é que é? Porque tá me seguindo então? Olhou fingindo ódio nos olhos dele, pois era um adolescente mas era maior em altura.
Jeferson pegou a rua de cima, saiu andando rápido, olhou pra trás e sumiu na escuridão.
Ela entrou nervosa em casa, tremeu e ligou para o amigo.





2 comentários:

  1. Tive um sonho essa noite, que era sequestrada e usava psicologia pra tentar me salvar, me fingindo de amiguinha/aliada do meu sequestrador, fui até que bem, ele era meio burro/coitado, consegui sair viva e ele fugir do país, além de com minha psicologia eu ter acho que encaminhado o cara pruma tentativa de ser pessoa boa e tal.
    Mas não é meu habitual, no caso ilustrado no post, ao notar alguem me seguindo entraria em qualquer loja aberta e ficaria lá até o moleque sumir, chamaria a policia caso ele nao desaparecesse, ou simplesmente um taxi.
    Um trombadinha, na verdade um moleque com uma gang de adolescentes pobres atrás, ja veio me pedir o celular, com o dedinho por dentro do blusão apontando pra mim, e eu mandei alto um "Nem a pau! E voce nao é louco de fazer isso no meio de tanta gente e com um monte de policial lá embaixo!!" seguido de uma corrida em meia volta sem olhar pra tras até chegar em casa rs. (era no Minhocão, que fecha pra carro e fica só pra pedestre depois de certo horario - tem uma quantidade razoavel de gente fazendo atividade fisica lá todas as noites).
    Mas definitivamente não é do meu feitio puxar conversa se eu tenho a opcao de fugir.
    Em geral tenho ódio dessas pessoas, ao invés de vontade de compreende-las e corrigi-las na conversa(além de achar isso ineficaz).
    Se eu tivesse condições superiores de força ou de armas, eu atacaria. Psicologia só se eu estivesse em desvantagem

    Morava no centro até um tempo atrás, agora estou na zona sul de sp.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Foda minhocão.
      Infelizmente o descrito ocorreu.

      Estamos em lados opostos da grande cidade cinza Alie.

      Abraço

      Excluir

Grata pelo comentário. Em breve será liberado para a visualização.